Mais um monstro nasce. Morto.
Dizem que foi graças à crise: o futuro maior prédio do Chile está estagnado à espera de um milagre que o tire de seu estado catatônico. Uma montanha de lixo de concreto e vidro um pouco mais difícil de ignorar diferentemente daquele pacote de batatas-fritas que o carro da frente jogou pela janela.
Era para ser mais um símbolo da tão celebrada “prosperidade” chilena, a mesma que, como poucos celebram, vem acompanhada de toda a desigualdade que um brasileiro já está mais que acostumado a conhecer. À diferença que aqui fica mais escondida. Por enquanto.
Subúrbios de casas pré-fabricadas em condomínios fechados dão a sensação de segurança aos neuróticos new-rich. Estradas pedagiadas cortando a cidade por debaixo do rio Mapocho excluem com enormes muralhas qualquer possibilidade de cruzar a rua ou até suicidar-se. Telecentros nas regiões pobres são obrigados a modernizar-se com redes sem-fio porque os cabos de cobre são roubados para vender por ninharia, talvez numa alusão ao que defendia o finado Allende “O cobre é nosso”. Ele nacionalizou 100%. Hoje restam uns 30%. Mas o empresariado quer construir prédios altos. De vidro, como em Chicago. Não de cobre.
Mais minha questão é mais embaixo: qual a graça de fazer arranha-céus em um país que treme a terra todo mês? Quem quer trabalhar no 40º piso de um tiranossauro bem em cima das inquietas placas tectônicas do Pacífico?









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